Natureza Divina
“Se um
Deus bondoso e infinitamente poderoso governa este mundo, como podemos justificar os ciclones, os terremotos, a pestilência e a fome? Como podemos justificar o câncer, os micróbios, a difteria e milhares de outras doenças que atacam durante a infância? Como podemos justificar as bestas selvagens que devoram seres humanos e as serpentes cujas mordidas são letais? Como podemos justificar um mundo onde a vida se alimenta da vida? Será que os bicos, garras, dentes e presas foram inventados e produzidos pela
infinita misericórdia? A bondade infinita deu asas às águias para que suas presas fugazes pudessem ser arrebatadas? A
bondade infinita criou os animais de rapina com a intenção de que eles devorassem os fracos e os desamparados? A bondade infinita criou as inumeráveis criaturas inúteis que se reproduzem dentro de outros seres e se alimentam de sua carne? A
sabedoria infinita produziu intencionalmente os seres microscópicos que se alimentam do nervo óptico? Pense na idéia de cegar um homem para satisfazer o apetite de um micróbio! Pense na
vida alimentando-se da própria vida! Pense nas vítimas! Pense no Niagara de sangue derramando-se no precipício da crueldade!"
in www.ateus.net, de Robert G. Ingersoll

“Disse Nietzsche que
tudo seria permitido se Deus não existisse, e eu respondo que precisamente por causa e em nome de Deus é que se tem permitido e justificado tudo, principalmente
o pior, principalmente
o mais horrendo e cruel.”
José Saramago
Estar enamorado
(...) é encontrar o nome certo da vida.
(...) é encontrar por fim a palavra para fazer frente à morte.
(...) é recuperar a chave oculta que abre o cárcere em que a alma está cativa.
(...) é levantar-se da terra com uma força que a chama de cima.
(...) é contemplar do cume a razão das feridas.
(...) é notar nuns olhos um verdadeiro olhar que nos olha.
(...) é escutar numa boca a própria voz profundamente repetida.
(...) é surpreender numas mãos esse calor da perfeita companhia.
(...) é suspeitar, definitivamente, que a solidão da nossa sombra está vencida.
(...) é ouvir no deserto a cristalina voz de um rio que nos chama.
(...) é governar a luz do fogo e ao mesmo tempo SER ESCRAVO da chama.
(...) é entender o diálogo pensativo do coração e da distância.
(...) é assenhorar-se das noites e dos dias.
(...) é contemplar um comboio que corre pela montanha com as luzes acesas.
(...) é compreender perfeitamente que não há fronteiras entre o sonho e vigília.
(...) é sofrer espaço e tempo com doçura.
(...) é não saber se são nossas, ou não, as longínquas amarguras.
(...) é regressar à fonte das águas turvas da corrente da angústia.
(...) é partilhar a luz do mundo e ao mesmo tempo partilhar a sua noite escura.
(...) é espantar-se e alegrar-se por a lua ser ainda lua.
(...) é comprovar no corpo e na alma que a tarefa de ser homem é menos dura.
(...) é começar a dizer sempre, e daí em diante não voltar a dizer nunca.
(...) é, além disso, ter a certeza de ter as mãos puras.
in Estar Enamorado, de Francisco Luis Bernárdez
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos
amizade,
se tão contrário a si é o mesmo
Amor?
in Amor é Fogo Que Arde Sem se Ver, de Luís de Camões
“Há
cordas no
coração humano que o melhor seria não fazê-las
vibrar.”
Charles Dickens